Entre esperas inúteis,
passada a agonia,
o que semeio?
Poesia.
Trocada, sempre trocada,
sem, ao menos, saber pelo quê.
E meu corpo paga pela tua
ausência,
por não ter podido te amar,
por não ter pelo que te perdoar.
Os sonhos, coitados, tão
maltratados,
cheirando a guardado,
não querem esperar.
Arranca-me os olhos, mas faz-me
partir.
Mais triste que ser só é não ser.
E sendo ninguém, como – ainda – posso
sofrer?
Entre tantos finalmentes,
o que recomeça não se sabe, enfim.
Findam-se os dias, as noites, os caminhos...
E a estrada sempre tem um fim para quem não continua.
Findam-se os ritos, as farsas, os medos...
E os ciclos são vícios para quem não suporta dar-lhes fim.
Findam-se os sonhos, as esperas, os amores...
E os filhos são registros de finalmentes dos romances.
Findam-se os versos, as rimas, as estrofes...
E para a poesia, finda a vida, resta ser sem fim.
Pau de chuva encantado
traduz o gingado
que, só ao teu lado,
meu coração tem.Recebo notícias aos montes
de sonhos distantes
mesmo que não contes
por um bom vintém.
Sorrisos e falsas canções,
muitas sensações,
mas as ilusões
às vezes convêm.
Lembranças, lindas revisitas,
merecem ser ditas,
mesmo que não sintas
mais nada e além.
Foi tudo em bom tom
ó meu rapaz bom
tu tinhas o dom
que poucos detém.
Mas fomos teimosos,
quem sabe medrosos,
insistimos vaidosos
no que, ao amor, não convém.
Entre medos bobos, o intocável – agora – é bem ali.
E já não posso sentir o mesmo.
Entre certezas absurdas, a resposta – agora – é o que menos interessa.
E já não posso sentir o mesmo.
As esperas inúteis também me foram proveitosas
E a vida, mesmo com suas transgressões, seguiu seu rumo.
Aquelas velhas juras ainda merecem ser sussurradas.
E continuo a debruçar-me por entre versos em noites cortadas.
Quis não ser descoberta ao passo que me despia.
Esquivei-me de quê?
Aprecio a generosidade da entrega do tempo aos meus caprichos.
Aprecio a generosidade da entrega do tempo aos meus caprichos.
Presentinho da minha amiga Marta Leal...
À Rousi Cavalcanti
Quando a alma cala o desejo
E entre o respirar não cabe o beijo
Quando uma porta
Corta o que havia para dizer
E cala o ser
O silêncio se instala
O medo enche a sala
A estrada apressa
O passo para o raso
O raso de nós
No fundo da alma
O árido da palma
A paisagem se cala
A alma se cala
O amor se apaga
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