sexta-feira, 8 de julho de 2011 5 comentários

Desabafo

Ah, como eu queria fluir
sumir para o nada
e deixar o tempo matar o próprio tempo
e o desgosto de ser efêmero.

No exato momento em que me vi
minha mente ignorava todos os estímulos
e transbordava nesse denso drama de ressentimentos.

Te encontrar me deixa perdida
e te perder... ah, te perder não muda nada!

Como posso conviver com a tristeza de ter que te esconder dos olhos meus?
Quanto tempo vou continuar na ânsia de esperar pelos passos teus?

É impossível imaginar que teus braços ainda me acolhem,
que tuas mãos ainda me reconhecem.
O calor do meu corpo se esvai a cada nova gota de desencanto.

Por que não conseguimos mais conversar?
Por que tuas respostas deixaram de chegar?
O que continuo a esperar?

É tolice sonhar com o que não virá!
É triste passar as noites em vão!

Me perco na fuga e te entrego a negação.
Por que nego?
Pra quem nego?
Será que nego?

Não enxergar a linha tênue entre o desejo do que sou e a ilusão do que és me torna comum
E esse misto de realidade e fantasia me confunde.

terça-feira, 5 de julho de 2011 5 comentários

Infortúnio



Me atirei num mar de unguentos
Me livrei dos meus tormentos
Foi-se embora com o vento
todo o arrependimento.

{Hoje}
Meu sorriso faz-de-conta
conta aquilo que não sou
conta tudo o que passou
CANTA a tua e a minha dor.
sexta-feira, 17 de junho de 2011 6 comentários

A visita


Que sensação estranha
você aparecer assim do nada
com essa cara de barganha
e a felicidade estampada.

Que sensação estranha
refazer o juramento
e se perder nessa façanha
diante do antigo encantamento.

Que sensação estranha
a gente dançando engraçado
não há mar, nem há montanha
sob nós, só o passado.

A sensação estranha?
Era um sonho, que pena!
terça-feira, 5 de abril de 2011 21 comentários

Descaso

Me livrei dos nós atados
desse amor mal curado
desse mau-humor danado
desses versos de desilusão.

Entreguei os pontos pro fracasso.
Por descuido ou por descaso
se desfez tanta paixão?!

Esqueça, o velho encanto está desfeito
faça as malas do desejo
e leva embora esse meu peito
que não soube sonhar sem sentir dor.

Se pisei na bola me perdoa,
mas embora ainda me doa
dessa tua vida à toa
já não quero mais gozar.

Guarda teus delírios e teus fatos
teu sorriso, teu gingado,
para quem queira gostar.

Leva tua pochete ultrapassada
tua barbicha estrapiada
e essa vida embriagada
que eu cansei de suportar.

Guarda teus delírios e teus fatos
teu sorriso, teu gingado,
para quem queira gostar.
domingo, 27 de março de 2011 14 comentários

Febril

Os lugares antigos senti-os no cheiro da memória.
O passo manso tem o gosto suave que revigora
os atrevimentos dessa minha febre habitual
e o suor frio dos dias banais.

Confundi todas as histórias.
Meus desejos se perderam em confissões
por palavras nunca antes ditas
e as minhas frases feitas perderam o sentido.

Parei de massacrar as cigarras
Meu próprio canto me incomoda e me faz implorar
Não importa se aqui não é Babylon
Minha pele anseia o arrepio de tuas fanfarras.

É que hoje eu queria um abraço
que me pegasse num sopapo
e me sentisse sorrir como quem chora de saudade.

Se voltei foi pra sentir [de novo] o meu porto seguro trepidar
Cansei da sensatez de ser só
Voltei ao meu delírio de poder ser em você mais uma vez.

domingo, 28 de novembro de 2010 16 comentários

Até parece...



Até parece que se ama por impulso,
que se tem paixão por conveniência,
e que se sonha sem tirar os pés do chão.

Até parece que a gente não sabe onde tudo vai dar,
que não se engana de propósito,
e que nao quer se enganar.

Até parece que a gente nunca tinha sonhado,
que nunca tinha voado,
e que nunca tinha caído.

Até parece que não ia doer,
que a gente não ia sofrer,
e que ninguém ia perceber.

Até parece que a gente não ia seguir em frente,
que não ia olhar pra trás,
e que não ia se sentir de repente.

Até parece que meus versos não são mudos,
que se eu gritar você escuta,
e que o contrário tornaria algo diferente.

Até parece que, um dia, eu deixei de ser tua,
que hoje eu conseguiria ser de outro,
e que isso seria, ao menos, suportável.

Até parece que o tempo ia passar,
que a saudade ia acabar,
e que tudo ia ter um fim.

Ai, ai, .... até parece!

sábado, 13 de novembro de 2010 16 comentários

Quando te perdi, meu amigo...




Com o passar do tempo
fui substituindo, aos poucos, a tua presença.
Repousei meus beijos em outros lábios
e entreguei sorrisos e sentidos a novos abraços.

Quando te perdi, meu amigo,
preenchi toda a tua ausência
e aprendi a conviver com aquela antiga saudade,
mas a paz que a tua voz me trazia não consegui.
^^
quinta-feira, 23 de setembro de 2010 14 comentários

Ontem à noite



A lua, envergonhada, se escondeu ao ver o moço simples que cantava, com a ponta dos dedos, versos singelos de emoção revisitada.

Se eram as cordas a imitar as batidas do coração ou o contrário, pouco importa. Na madrugada morna, era possível encontrar qualquer sensação solta ou perdida entre papéis e pensamentos.

O tempo continua usando os mesmos truques. E, às vezes, parece que me deixo seduzir de propósito. Só para me sentir iludida. Só para me fazer pensar que não pensar me tornará ingênua.


Quero meu ouro, mesmo que seja de tolo. Encontrar o velho, estranhar o que é novo e fazer do inusitado um velho conhecido. É que gosto de rimas estranhas e sei que meus afetos são complexos, contudo, se necessário, posso desenhar para quem for disléxico.

Não quero ter a alma doída nem as emoções calejadas. Já não me importo em parecer piegas. Quero de volta a pretensão maliciosa do olhar desconfiado e o desejo de sentir tudo de uma vez sem me preocupar se vai sobrar um pouco para mais tarde. Quero poder acreditar que “os teus olhos têm a cor dos meus sonhos”.

Ontem à noite, a lua veio ouvir que não existiriam mais aquelas noites. A poesia aquietou-se, a música parou, e fomos embora guardando um pouco para depois.


 
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