quinta-feira, 1 de setembro de 2011 4 comentários

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E quando essa vontade súbita de chorar passar,
quero poder acreditar
que de tanto molhar, secou
mas enfim estancou.
terça-feira, 30 de agosto de 2011 6 comentários

Sobre as coisas que amamos e perdemos

Ai que saudade de acordar com você,
de ver você se manifestar e me fazer reagir.

Saudade de esperar as mensagens,
de planejar absurdos e me fazer morrer de rir.

Saudade do efeito que causamos juntos,
de sussurrar nossos segredos e me deixar fluir.

Ai que saudade do meu celular!
domingo, 14 de agosto de 2011 4 comentários

Limitações



Ao meu Pai

Você nunca foi meu herói, mas era quem cantava cantigas para mim.
E se há algo que dá gosto à lembrança,
se há algo que traz de volta a infância,
soa assim: “Olê mulher rendeira, Olê mulher rendar
Tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar [...]”.

Não passamos mais tanto tempo juntos,
Nem falamos dos mesmos assuntos.
Sinto muito por todas as vezes que não compreendi os teus limites.

Minha mente se distrai entre tuas confusões
E em meio a olhares distantes e gestos automáticos
Sobra o vazio nas nossas ligações.

Eu só queria que você entendesse
O que eu nunca fiz questão de revelar
E que pudesse ler o que me escorre agora

Queria poder explicar algo e ver você compreender.
Não, não queria outra vida,
nem outro pai.
Eu só queria entender as suas explicações.
domingo, 17 de julho de 2011 12 comentários

Poema de aniversário

(23:59)... Amanhã o que muda?
O que o faz diferente?

Não adianta querer o posposto,
nem há graça em contar as desgraças.
Há mais gosto no silêncio disposto
e no sonhar com as próprias asas.

Nenhum ano é igual ao outro,
nenhum outro é tão diferente assim.
O dia forja o velho encontro
entre o que julguei e o que fiz de mim.

Zera o relógio, mas não o tempo
quanto dura o agora?

(00:00)... Hoje o que mudou?
O que o fez diferente?

Na frágil eternidade dos momentos felizes,
acha-se o fio, faz-se a história
Não importa o que trazem as cicatrizes,
tudo agora está claro diante da memória.

Foi-se o ontem de ser dois
veio o hoje ser só meu
não sei o que vem depois
tudo é o que se perdeu.
sexta-feira, 8 de julho de 2011 5 comentários

Desabafo

Ah, como eu queria fluir
sumir para o nada
e deixar o tempo matar o próprio tempo
e o desgosto de ser efêmero.

No exato momento em que me vi
minha mente ignorava todos os estímulos
e transbordava nesse denso drama de ressentimentos.

Te encontrar me deixa perdida
e te perder... ah, te perder não muda nada!

Como posso conviver com a tristeza de ter que te esconder dos olhos meus?
Quanto tempo vou continuar na ânsia de esperar pelos passos teus?

É impossível imaginar que teus braços ainda me acolhem,
que tuas mãos ainda me reconhecem.
O calor do meu corpo se esvai a cada nova gota de desencanto.

Por que não conseguimos mais conversar?
Por que tuas respostas deixaram de chegar?
O que continuo a esperar?

É tolice sonhar com o que não virá!
É triste passar as noites em vão!

Me perco na fuga e te entrego a negação.
Por que nego?
Pra quem nego?
Será que nego?

Não enxergar a linha tênue entre o desejo do que sou e a ilusão do que és me torna comum
E esse misto de realidade e fantasia me confunde.

terça-feira, 5 de julho de 2011 5 comentários

Infortúnio



Me atirei num mar de unguentos
Me livrei dos meus tormentos
Foi-se embora com o vento
todo o arrependimento.

{Hoje}
Meu sorriso faz-de-conta
conta aquilo que não sou
conta tudo o que passou
CANTA a tua e a minha dor.
sexta-feira, 17 de junho de 2011 6 comentários

A visita


Que sensação estranha
você aparecer assim do nada
com essa cara de barganha
e a felicidade estampada.

Que sensação estranha
refazer o juramento
e se perder nessa façanha
diante do antigo encantamento.

Que sensação estranha
a gente dançando engraçado
não há mar, nem há montanha
sob nós, só o passado.

A sensação estranha?
Era um sonho, que pena!
terça-feira, 5 de abril de 2011 21 comentários

Descaso

Me livrei dos nós atados
desse amor mal curado
desse mau-humor danado
desses versos de desilusão.

Entreguei os pontos pro fracasso.
Por descuido ou por descaso
se desfez tanta paixão?!

Esqueça, o velho encanto está desfeito
faça as malas do desejo
e leva embora esse meu peito
que não soube sonhar sem sentir dor.

Se pisei na bola me perdoa,
mas embora ainda me doa
dessa tua vida à toa
já não quero mais gozar.

Guarda teus delírios e teus fatos
teu sorriso, teu gingado,
para quem queira gostar.

Leva tua pochete ultrapassada
tua barbicha estrapiada
e essa vida embriagada
que eu cansei de suportar.

Guarda teus delírios e teus fatos
teu sorriso, teu gingado,
para quem queira gostar.
 
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