segunda-feira, 24 de setembro de 2012 1 comentários

Árido

Presentinho da minha amiga Marta Leal... 




À Rousi Cavalcanti
Quando a alma cala o desejo
E entre o respirar não cabe o beijo
Quando uma porta
Corta o que havia para dizer
E cala o ser

O silêncio se instala
O medo enche a sala

A estrada apressa
O passo para o raso

O raso de nós

No fundo da alma
O árido da palma
A paisagem se cala
A alma se cala
O amor se apaga


sábado, 22 de setembro de 2012 0 comentários





Foi-se o tempo em que perder tempo era fundamental para entender-ser com ele. Porque tempo perdido não é tempo que se ganha, mas é tempo sentido que, só por não ter existido, já valeu a pena ter-se vivido.

Mas, se o tempo que vos falo é o tempo que vos entrego, é porque tenho tido tempo de ter tempo para perder-me no tempo.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012 2 comentários


  
O passado - agora - não importa, nem os porquês.
E não há mais distinção entre desejar e ser o desejo. 
  Somos um mar de possibilidades que, apenas por existir, basta.
domingo, 22 de julho de 2012 0 comentários

...



Cada nuvem que se desfaz leva consigo uma ilusão.
Para onde vão os sonhos desfeitos?
E as nuvens, para onde vão?
domingo, 6 de maio de 2012 3 comentários

Nada





Nada do que eu diga agora adiantará
porque não adianta sentir com atraso.

Nada do que eu diga agora impedirá
porque não se impede o passado.

Nada do que eu diga agora restará
porque não resta o que não é sobra.

Nada do que eu diga agora resistirá
porque não resiste quem nunca quis lutar.
  
Nada do que eu diga agora silenciará
porque não se silencia o que já é mudo.



quinta-feira, 29 de março de 2012 1 comentários

Desencanto



É complicado lidar com as verdades, sejam elas quais e quantas forem. E mais complicado ainda é lidar com o que não se vê. Por que isso de "o que os olhos não vêem o coração não sente" é muito bom de dizer quando não é com você.

Meto-me de enxerida que sou. Devo ter a língua maior que os pudores, mas é que eu ainda me sinto do tempo em que era digno indignar-se.

Dispam-me de rotulações. Nem racista, nem sexsista, muito menos extremista. Prefiro ser realista, mesmo quando a realidade se esconde entre falsas intenções.

É que hoje eu estava especialmente reflexiva. Queria entender o que dizem as juras de amor. Ouvi Beatles, cantei com Chico e li Cecília. No fim, restaram suaves impressões das reproduções de versos e canções que só exigem sinceridade de quem os repete.

Me perdoem os hipócritas, mas é impossível manter o encanto por alguém que, sem o mínimo remorso, olha nos olhos e faz juras de amor a quem, na noite anterior, estava traindo.

Não adianta. Certas desculpas são indesculpáveis.
terça-feira, 13 de março de 2012 2 comentários

Recife



Tu que tantas vezes me deixa perdida,
que tantas vezes me enlouquece,
não me guardes sob medida,
não me escondas o que entontece.
Acalma minha eterna despedida
e dissolve-me no que só em ti anoitece.



sexta-feira, 7 de outubro de 2011 6 comentários

Às vezes


Às vezes falo alto esperando que alguém me leia;
Outras vezes escrevo baixo para que alguém me ouça.

Às vezes ninguém me ouve;
Outras vezes ninguém me lê.
Mas alguém sempre finge se importar
enquanto eu finjo compreender.

 
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