domingo, 6 de maio de 2012 2 comentários

Nada





Nada do que eu diga agora adiantará
porque não adianta sentir com atraso.

Nada do que eu diga agora impedirá
porque não se impede o passado.

Nada do que eu diga agora restará
porque não resta o que não é sobra.

Nada do que eu diga agora resistirá
porque não resiste quem nunca quis lutar.
  
Nada do que eu diga agora silenciará
porque não se silencia o que já é mudo.



quinta-feira, 29 de março de 2012 1 comentários

Desencanto



É complicado lidar com as verdades, sejam elas quais e quantas forem. E mais complicado ainda é lidar com o que não se vê. Por que isso de "o que os olhos não vêem o coração não sente" é muito bom de dizer quando não é com você.

Meto-me de enxerida que sou. Devo ter a língua maior que os pudores, mas é que eu ainda me sinto do tempo em que era digno indignar-se.

Dispam-me de rotulações. Nem racista, nem sexsista, muito menos extremista. Prefiro ser realista, mesmo quando a realidade se esconde entre falsas intenções.

É que hoje eu estava especialmente reflexiva. Queria entender o que dizem as juras de amor. Ouvi Beatles, cantei com Chico e li Cecília. No fim, restaram suaves impressões das reproduções de versos e canções que só exigem sinceridade de quem os repete.

Me perdoem os hipócritas, mas é impossível manter o encanto por alguém que, sem o mínimo remorso, olha nos olhos e faz juras de amor a quem, na noite anterior, estava traindo.

Não adianta. Certas desculpas são indesculpáveis.
quarta-feira, 14 de março de 2012 5 comentários

Amadurecência


                                                                 
                                                                                                              À poesia

Das verdades impossíveis
resta compreender o evangelho
dos desejos irredutíveis
deste meu jeito peculiar de ser velho.

E vencer o receio, que nasce com o dia,
de não saber se arrisco
me indispor com a covardia
para - em ti - me tornar rabisco.

Nem tudo é o que se diz,
mas tu tens o consolo
para o que não me faz feliz,
para o que - tantas vezes - não ouso.

E é no deleite dos teus braços
que busco o amadurecer.
Embebida no fio dos teus traços,
desvendo o meu sentido de ser.
terça-feira, 13 de março de 2012 2 comentários

Recife



Tu que tantas vezes me deixa perdida,
que tantas vezes me enlouquece,
não me guardes sob medida,
não me escondas o que entontece.
Acalma minha eterna despedida
e dissolve-me no que só em ti anoitece.



sexta-feira, 7 de outubro de 2011 5 comentários

Às vezes


Às vezes falo alto esperando que alguém me leia;
Outras vezes escrevo baixo para que alguém me ouça.

Às vezes ninguém me ouve;
Outras vezes ninguém me lê.
Mas alguém sempre finge se importar
enquanto eu finjo compreender.

terça-feira, 13 de setembro de 2011 5 comentários

Contra-senso



Me ergo na cena,
chuto o balde,
mas ainda assim me consumo.

Sinto pena,
sinto vontade,
não me acostumo.

Adormeço
questionando o contra-senso
e todo o arrependimento.

Mas não esqueço
o que não penso,
o que me traz alento.

Não sei se é amor
Na verdade, sei o que não é.
O que seria então?

Não consigo me desprender dos sentimentos, nem me abandonar.
Por isso sobro, sou desperdício
e me alimento dessa imensa dificuldade de me libertar.

Mas quanto disso é real ou fictício?
Não adianta,
fugir é inútil.


sexta-feira, 9 de setembro de 2011 5 comentários

Velhice


Deixa dessa meninice
que o amor é mesmo uma tolice
com traços de esquisitice
e não há maluquice
que cure essa burrice.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011 4 comentários

"Independência ou morte"?

Ontem houve um pronunciamento presidencial antes do Jornal Nacional e por alguns instantes eu deixei de lado o computador para ouvir falar do significado dessa data, da crise mundial e de como o Brasil é o melhor país do mundo, sem modéstia!
E eu resolvi quebrar um pouco o lirismo que tem o blog e um pouco da minha rotina porque me senti na obrigação de me indignar. É que eu ouvia que o povo brasileiro tem motivos de sobra para ter esperança em um futuro melhor e eu não conseguia imaginar o porquê disso, se nem com provas reais a Deputada Jaqueline Roriz foi condenada; se o salário dos Juízes do STF – que já é alto - aumenta 86% enquanto o salário dos professores – que já é baixo – apenas 4%.
Esperança de quê? De que os parlamentares que absolveram uma colega corrupta não sejam corruptos? De que o voto secreto não é um subterfúgio?
Mas não vou culpar os políticos, o sistema e muito menos a sorte, ou a falta dela. A culpa maior é do povo! Isso mesmo, a culpa é NOSSA por nos acomodarmos no “estou bem, obrigado”, no “não é da minha conta ou no “podia ser pior”.
Milhões de pessoas se reúnem todos os anos na parada do orgulho gay, na marcha Cristã e agora na mais recente marcha, a da maconha, mas no país de mais de 190 milhões de habitantes, apenas 10 mil resolveram sair às ruas contra a corrupção.
O que é mesmo que se comemora hoje? Alguém me responda, por favor, independência de quê? Se nós continuamos reféns dos impostos, dos altos juros, da criminalidade, do analfabetismo, da miséria e principalmente dos nossos "ilustríssimos" governantes corruptos.
Somos reféns do comodismo de quem vende voto e de quem só se preocupa com o seu umbigo e a sua própria conta bancária!

7 de Setembro! "Feliz" dia da Hipocrisia Nacional!
 
;